quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Minha Infância


Tentei retomar minha vida num quebra-cabeça que devia formar um retrato revivi a menina protegida que fui amada, mas um pouco estranhada em sua família (Eu sempre estava no mundo da lua) Certamente faltaram peças. Mas, falhada e fragmentária, aquela era eu, e me reconheci assim na minha incompletude. Diante deste computador, nesta altura e desde ângulo, lembrei que um dia compreendi que não eram as palavras que produziam o mundo. Pois esse nem ao menos cabia dentro delas.Antes de aprender a ler, quando me contavam histórias em minha casa contavam-se muitas,achei que criar um blog e escrevê-las haveria de ser o melhor dos brinquedos. Era esse o jogo que eu queria jogar. Quando fosse adulta. Aprenderia a inventar gente (seriam todos vendo minúsculos, eu é que mandaria neles, pois quando criança sempre achei que se mandava demais em mim) e brincar com palavras sua música vibrando em meu pensamento ou pronunciadas em voz alta quando achava que ninguém podia ouvir. Mãe: Está de novo falando sozinha filha? Não, mãe, eu estava só cantando.Escrevendo descobri que a gente teve várias infâncias: a que outros viam; a que eles imaginavam que a gente estava vivendo; a que a gente mesma pensava ter; e a real, que é sempre o mais indefinido. De longe, depois de tantos, anos, observei a criança que fui, a que os outros viam e pensavam conhecer, e as tantas que se desdobravam dentro de mim além de algumas que ainda não decifrei. Elaborando essas palavras também fiquei mais próxima do menininho que agora mesmo brinca no tapete agora ao meu lado enquanto escrevo. Na sua dimensão de magia ele fala com bonecos, constrói carros, cavalos, e espadas, ou se perde na contemplação do que ninguém mais enxerga. Porém real como esta casa e este computador.
Ás vezes faz perguntas como:
Ben 10 existe?
Para quem acredita, ele existe.
E o Mickey?
Existe se a gente acreditar.
Max stills também existe?
Basta você acreditar e ele existirá.
Ah...
Há pouco veio me falar, com olhos radiantes, de um passarinho que tinha entrado na sala. Depois de algum tempo voltou, dizendo que estava morto.
Morreu! Ele diz com os olhos inocentes de quem ainda não sabe o que é perda e separação. E a gente plantou ele na terra!
Olha-me cheio de expectativa. Digo ‘’que lindo!”e por um momento sou essa criança também. De, pois lado a lado, nos entregamos cada um á sua ocupação: Bonecos carros ou computador pode parecer muita diferença. Não é; Cúmplices silenciosos, não temos dúvida. No jardim vai nascer uma árvore de passarinhos.E quando soprar um vento forte ,vão-se espalhar sobre os telhados daqui de casa,as árvores e as nuvens ,e as cabeças dos incrédulos que nem vão se interessar em saber de onde veio aquela revoada de miraculosa.

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